A Dexco concluiu os ajustes em sua operação no Brasil após fechar e vender cinco fábricas. Segundo o presidente Raul Guaragna, a medida adequou a estrutura da companhia à menor demanda por materiais de construção.
Em entrevista, Guaragna afirmou que a empresa encerrou um ciclo de ajuste de capacidade e mudança de estratégia. A reorganização ocorreu em meio a juros altos, consumo enfraquecido e maior concorrência no setor.
A reestruturação envolveu unidades de louças sanitárias e revestimentos cerâmicos no País. A Dexco é dona de marcas como Deca, Hidra, Portinari e Ceusa.

As mudanças também tiveram impacto nos resultados do terceiro trimestre de 2026, enquanto a empresa busca reduzir sua alavancagem financeira. O processo inclui a concentração da produção e o reposicionamento da companhia no mercado.
Fechamentos de fábricas concentram a produção e mudam o posicionamento da Dexco
Na divisão de louças sanitárias, a Dexco reduziu de cinco para uma o número de fábricas. A unidade de Cabo de Santo Agostinho (PE) foi fechada, após a desativação das plantas de São Leopoldo (RS), Queimados (RJ) e João Pessoa (PB), em anos anteriores.
A produção de louças ficou concentrada em Jundiaí (SP), fábrica que recebeu investimentos em automação, tecnologia e modernização industrial. A mudança reuniu em uma única unidade a fabricação que antes era distribuída por diferentes localidades.
Em revestimentos cerâmicos, a empresa vendeu a fábrica de Urussanga (SC) e passou de três unidades para duas, em Criciúma (SC) e Botucatu (SP). Inaugurada em 2025, a planta paulista conta com equipamentos mais modernos; segundo o presidente Raul Guaragna, as operações vendidas eram boas, mas deixaram de ser compatíveis com o tamanho do mercado.
A Dexco também decidiu concentrar sua atuação em produtos premium, diante da demanda mais fraca por materiais de acabamento, do endividamento das famílias e dos juros altos. Guaragna atribuiu a pressão adicional à concorrência por preço nos itens de entrada, cuja margem, segundo ele, é insuficiente para a estrutura de custos e o padrão de qualidade da companhia.
Prejuízo no terceiro trimestre e estratégia para reduzir a alavancagem
No terceiro trimestre de 2026, a Dexco registrou prejuízo líquido de R$ 142 milhões. A reestruturação e o encerramento de operações responderam por perdas de R$ 118,4 milhões no período, conforme o balanço da companhia.
Outro efeito não recorrente foi uma perda de crédito de R$ 20 milhões ligada à Bartira, fabricante de móveis do grupo Casas Bahia em recuperação judicial. A Dexco é a principal fornecedora de painéis de madeira da empresa; o fornecimento foi mantido, mas passou a ser pago à vista.
A relação entre dívida líquida e Ebitda encerrou o trimestre em 2,36 vezes, abaixo da faixa de 2,5 a 2,7 vezes que a companhia projetava para o fechamento do ano. O presidente Raul Guaragna afirmou que a meta adiante é levar o indicador para menos de duas vezes, sem estabelecer prazo para isso.
Para reduzir a alavancagem, a empresa pretende usar a geração de caixa livre, que somou cerca de R$ 990 milhões nos nove primeiros meses de 2026. De acordo com Guaragna, a estratégia é abater o valor nominal da dívida bruta e, com isso, diminuir as despesas com juros.


