A crescente demanda por energia nos data centers
A rápida ascensão da computação em nuvem e do uso de inteligência artificial (IA) tem intensificado a discrepância entre o crescimento dos data centers e a capacidade de fornecimento de energia necessária para suportá-los. Embora o Brasil possua uma geração ambientalmente amigável a partir de parques eólicos e solares, muitos desses complexos estão localizados em regiões remotas, longe dos principais centros de consumo. Isso resulta na necessidade de um sistema de transmissão mais robusto. Para ilustrar essa problemática, considera-se que enquanto a construção de data centers pode levar de um ano e meio a dois anos, o desenvolvimento da infraestrutura de transmissão pode levar até sete anos.
Impacto da inteligência artificial na infraestrutura energética
Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), é previsto que a demanda por energia dos data centers duplique de 2026 a 2031, elevando sua participação no consumo nacional de 2% para entre 4% e 5%. Esta projeção é significativa, especialmente para um setor que historicamente cresce em um padrão alinhado ao PIB. O presidente da Brasscom, Affonso Nina, observa que esse aumento representa um crescimento acelerado e preocupante.
Estratégias para mitigação de riscos de transmissão
A criação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) em 2025 é um movimento estratégico para otimizar o planejamento da rede elétrica. Essa política substitui o sistema de filas de pedidos por temporadas de acesso à rede, que exigem que apenas projetos mais maduros sejam considerados. Na primeira rodada de leilão em 2026, os projetos de data centers representaram 38 das 43 solicitações atendidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com um total de 7.040 megawatts (MW) e investimentos estimados em cerca de R$ 159 bilhões. O interesse por projetos de energia de data centers no Brasil chega a cerca de 38 gigawatts (GW).

O papel da autoprodução na sustentabilidade energética
Para enfrentar os desafios do fornecimento de energia, muitas empresas estão adotando autoprodução e contratos de energia renovável no mercado livre. Um exemplo é a Ascenty, que estabeleceu acordos que garantem a energia necessária para operar, como um contrato no valor de R$ 2,5 bilhões com a Casa dos Ventos, garantindo 110 MW médios. Além disso, a empresa tem planos de expandir sua produção e a construção de uma linha de transmissão entre Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré em São Paulo, que deverá entrar em operação em 2027.
Escolha de locais estratégicos para data centers
Além da autoprodução, a localização dos data centers também é um fator crítico. Regiões com subestações de alta capacidade que permitem a conexão de novas empresas são altamente procuradas. Isso minimiza os riscos de interrupções na eletricidade. Empresas como a Allrea relatam um aumento na demanda por terrenos em cidades como Sorocaba, Araraquara, Nova Iguaçu, Ponta Grossa e Joinville, onde há infraestrutura adequada para suportar grandes cargas.
Energias renováveis e a conexão à rede
A parceria entre empresas e desenvolvedores de energia renovável tem se mostrado uma estratégia eficiente. Por exemplo, a Casa dos Ventos está investindo em um data center em Caucaia, Ceará, rumo à expansão de capacidade com a colaboração da Omnia e Byte Dance, com um projeto que prevê inicialmente 200 MW de capacidade. Essa combinação de esforços visa aumentar a eficiência da rede elétrica e contribuir para uma melhor gestão da oferta de energia, reduzindo o desperdício por restrições de escoamento.
Desafios regulatórios para novos projetos de energia
O desenvolvimento de data centers também enfrenta obstáculos regulatórios que afetam a velocidade com que novos projetos de energia podem ser criados. Recentemente, especialistas como Rafael Martins de Souza, da FGV, argumentaram que na área de transmissão, uma redução na burocracia e processos acelerados seriam essenciais para equilibrar a proporção entre o crescimento do setor de data centers e a infraestrutura de fornecimento. Sugestões incluem a possibilidade de tarifas mais acessíveis para instalações próximas a fontes de geração de energia.
Perspectivas futuras para a expansão de data centers
A previsão de crescimento da capacidade dos data centers está adaptada ao aumento da demanda por serviços de nuvem e IA, que devem continuar em ascensão. Projetos com potenciais de grande escala, como a AI City planejada pela Scala no Rio Grande do Sul, demonstram a visão ambiciosa do setor. Com um investimento inicial de R$ 3 bilhões, essa localidade visa atender a uma demanda de até 4.750 MW de energia.
A importância da colaboração entre setores
A colaboração entre os setores de tecnologia, energia e governo é essencial para criar soluções integradas que equilibrem a demanda crescente por energia e a capacidade de oferta. As discussões sobre como os data centers podem contribuir para a expansão da infraestrutura de transmissão são necessárias, pois o impacto da autoprodução e geração compartilhada será fundamental para garantir a sustentabilidade do setor.
Inovações tecnológicas para melhorar a eficiência energética
O futuro dos data centers também será moldado por inovações tecnológicas que buscam melhorar a eficiência energética. Tecnologias emergentes, sistemas de automação e otimização do uso de energia são algumas das estratégias que podem ajudar na minimização do consumo, garantindo que os data centers operem de maneira sustentável e sem causar um impacto negativo significativo no sistema elétrico nacional.


